Em declarações reproduzidas na edição desta quinta-feira do Jornal de Notícias, Manuela Rezende, coordenadora das CPCJ do Porto, alerta para o facto de existirem casos «em que um técnico de uma Comissão de Protecção (CPCJ) tem 80 a 90 processos activos de crianças em risco», acrescentando que tal «não é humanamente exequível», pelo que «não estranhemos que entre eles esteja uma Vanessa (Porto) ou uma Joana (Algarve)».
Segundo dados da Associação de Apoio à Vítima (APAV), em cada dois dias uma criança foi vítima de maus tratos em Portugal, em 2005, e uma em cada quatro tinha menos de três anos de idade. Apesar deste números, 70% dos hospitais não tem núcleos especializados na sinalização destas situações, embora a sua existência seja obrigatória desde 1992, revelou um estudo da Direcção-Geral de Saúde.
Para a socióloga Isabel Dias, a violência sobre crianças, no âmbito familiar, é um fenómeno transversal e comum a todas as classes sociais. O problema, foca, «é que nas famílias bem integradas socialmente o acesso é mais difícil».
No entanto, Isabel Dias também refere que «a sociedade está mais alerta e mais intolerante para com a violência» e que «há informação suficiente para orientar formas de intervenção». O que falta, concluiu, «são meios efectivos. Mais técnicos, mais formação e uma base de dados».