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SOCIEDADE
Sociedade

Acerca da Intervenção em Rede (1)
2011-06-23

Apontamentos

Acerca da Intervenção em Rede (1)

João Redondo et al.

 

DA TEORIA GERAL DOS SISTEMAS

À INTERVENÇÃO EM REDES SOCIAIS

 

Conceito de Rede

Existem vários modos de perceber a sociedade e de a descrever. Assim, a exemplo da sociologia positivista, poder-se-ão considerar estruturas mais ou menos bem definidas, imbricadas umas nas outras segundo modalidades mais ou menos complexas, que englobam os diferentes "actores" que constituem a sociedade: classes/categorias sociais, instituições, grupos de natureza variada, etc... Noutra perspectiva poder-se-ão considerar não as estruturas mas os "actores" quanto ao modo como estes últimos pensam, modificam e modulam as estruturas sociais, através das relações interpessoais que o acaso ou não vai estimulando. De um modo geral, é este sistema de ligação, que une os diversos "actores" sociais, que Fischer e colaboradores (1977), entre outros, denominam redes sociais. A origem do conceito remonta ao inicio deste século, provindo do sociólogo Simmel e da Escola Alemã de Sociologia. É contudo ao antropólogo Barnes (1954) que se atribui geralmente o mérito de ter publicado o primeiro estudo que despertou a atenção sobre a existência de redes sociais e da influência exercida por estas sobre os fenómenos que se desenrolam na sociedade.

Considerando o ser humano como um todo bio-psico-social, faz pleno sentido que ele não seja considerado como uma entidade isolada mas sim como um ser em interacção constante com o meio em que se encontra inserido. Assim, as redes sociais deverão ser consideradas quer como eventuais elementos explicativos das dificuldades de cada indivíduo quer como recursos disponíveis/facilitadores para uma eventual solução de algumas das dificuldades apresentadas. Na prática deve ter-se em conta as dificuldades inerentes à sua operacionalização. Como sublinhava Noble (1973), as dificuldades à análise das redes sociais reais são numerosas: dificuldades de especificar o que se entende por ligação entre as unidades sociais, concebidas estas no tempo e no espaço; dificuldades em recolher dados objectivos sobre as interacções*...

A fim de tentar colmatar algumas destas dificuldades, atendendo à multiplicidade de aspectos a considerar, torna-se necessário definir os elementos da realidade que se pretendem "objectivar". Tendo sempre presente no espírito os limites impostos por uma definição assim adoptada, quanto à significação dos fenómenos que se pretendem estudar, consideram-se os subsistemas: REDES PRIMÁRIAS, REDES SECUNDÁRIAS (Formais e Não Formais)

 

Redes Primárias

De um modo geral denominam-se redes primárias as entidades colectivas, onde todos os membros se conhecem uns aos outros. São constituídas sobre uma base afectiva ou de afinidades, entre os indivíduos considerados, e não sobre uma base de relações estritamente funcionais ou comandadas por estruturas sociais formais. A formação destas redes pode ser favorecida pela existência de instituições que contribuem para pôr em contacto os indivíduos - uns com os outros - originando o nascimento de laços entre eles (Ex: O local de trabalho poderá ser o local onde se criarão laços entre os colegas). Nem sempre os factores que influenciam a criação destes laços são "positivos". Com efeito poder-se-á criar uma rede em que alguns indivíduos estejam em conflito uns com os outros Trata-se de um contexto dinâmico e susceptível de mudar com o tempo, em função das relações interpessoais que se criam de acordo com as circunstâncias. É uma evidência que tem em consideração as modificações que se poderão produzir com o tempo, nas relações interpessoais que se estabelecem numa determinada rede. Os estudos realizados mostram que as redes mudam em função do contexto no qual vivem os indivíduos e das escolhas pessoais que estes fazem entre as diferentes relações que lhe são "oferecidas".

Atendendo às características principais dos indivíduos, que compõem as redes primárias, torna-se possível distinguir diversos tipos de redes primárias. Se se considerarem os papéis sociais dos membros da Rede poder-se-á falar, por exemplo, de redes de vizinhança, redes de parentesco, redes de amizade, redes de "companheirismo". O mais frequente é encontrar redes "mistas" ou, dito de outra forma, redes compreendendo em simultâneo vários níveis de relações (Ex: relações de parentesco, amizade e vizinhança). A importância desta divisão deve-se ao facto de se terem verificado, segundo alguns estudos, diferenças de comportamento entre as diversas redes (Ex: As redes de vizinhança são um recurso a utilizar em caso de urgência, enquanto as de parentesco oferecem sobretudo uma ajuda a médio prazo aos seus membros )

As particularidades sociológicas dominantes dos indivíduos permitem também distinguir diversas redes primárias em função de uma diversidade de critérios: classe socioeconómico, idade, sexo, raça, etc. Poderemos assim considerar Redes de pessoas idosas, Redes de adolescentes, Redes de imigrantes, Redes de jovens delinquentes, etc. Tal distinção tem utilidade atendendo a que as características retidas para diferenciar as redes primárias influenciam a dinâmica daquelas e constituem deste modo variáveis importantes a ter em conta para compreender o seu funcionamento (Ex.: As redes compostas por pessoas idosas evoluem com um ritmo mais lento que as outras )

Em conclusão poder-se-á dizer que as REDES PRIMÁRIAS formam a trama de base da sociedade e o lugar de inserção do individuo. É este o nível mais significativo da produção do social pela interacção individual/colectivo.

 

Redes Secundárias

As relações estabelecidas a partir das instituições sociais têm características um pouco diferentes daquelas que caracterizam as redes primárias. A sua principal particularidade é o serem constituídas com vista a responderem a exigências de natureza funcional. Os laços estabelecidos entre os indivíduos que as integram são essencialmente de natureza funcional. De acordo com o seu nível de estruturação, e o tipo de serviços a que se destinam, podem dividir-se as REDES SECUNDÁRIAS em formais e não formais.

Redes secundárias formais: (principais características): são redes formadas pelas instituições sociais e têm existência oficial; apresentam-se estruturadas de uma forma precisa; têm como objectivos desempenhar funções especificas ou fornecer serviços particulares; (Ex: Um Hospital, uma Empresa de produção de bens materiais, uma Escola, constituem com a sua clientela , através da sua estrutura interna  redes secundárias formais).

As relações sociais subjacentes a estas redes são relativamente estáveis e estruturadas segundo normas precisas, determinadas não tanto pelos indivíduos em si mesmo mas pelos papeis e funções que lhes são atribuídos.Têm um "aspecto" rígido e formal, que está sempre presente, mesmo que uma rede primária esteja subjacente.

Redes secundárias não formais: como as precedentes, têm um papel essencialmente funcional. Contudo, não possuem o contexto oficial das primeiras e sobretudo não consagram a divisão rígida de papeis entre os que fornecem serviços e aqueles que os recebem, nem entre aqueles que decidem os serviços a fornecer e aqueles que deles os beneficiam. São redes de serviços que nascem com vista a satisfazer necessidades especificas (Ex: Um grupo de Mães, de um mesmo prédio, que se agrupa para assegurar em"roulement"a guarda dos seus filhos).

São iniciativas de redes primárias visando partilhar recursos ou elaborar um local de suporte colectivo, com vista à solução de dificuldades comuns, sem que os serviços fornecidos pelo "reagrupamento" assim criado  ultrapassem os limites deste e adquiram um status verdadeiramente institucional. As redes secundárias não formais são habitualmente menos estruturadas e menos duráveis que as instituições formais. Funcionam com uma clientela mais restrita e, por outro lado, são mais susceptíveis de serem melhor adaptadas às necessidades para as quais são criadas pois emanam directamente dos indivíduos que experienciam essas necessidades. É a este tipo de redes que fazem referência a maioria dos autores que estudaram a questão da utilização preventiva ou terapêutica das redes sociais com vista à abordagem dos "problemas" psicossociais.

Em resumo, enquanto as REDES PRIMÁRIAS se apresentam como os elementos de base de uma sociedade, onde surgem as mais diversas necessidades, as REDES SECUNDÁRIAS surgem como as responsáveis para a produção de serviços com vista a combater estas necessidades.

 

Papéis das redes na definição das necessidades e das respostas a dar.

As Redes primárias e secundárias (como já atrás foi dito) constituem dois níveis diferentes de estruturação das relações sociais: as menos estruturadas e mais frágeis (Redes primárias), e as mais estruturadas e mais estáveis (Redes secundárias).

Uma outra distinção poderá ser feita em função da produção e consumo de serviços: as Redes primárias são a "estrutura" onde se definem e se elaboram as necessidades; as Redes secundárias não formais, são simultaneamente "fornecedores" e "consumidores" dos serviços que produzem; e as Redes secundárias formais, são essencialmente "fornecedores" de serviços.

As redes primárias constituem o "tecido social" que determina as modalidades de redes secundárias a criar e os serviços que estas devem fornecer. Contudo, tal situação raramente acontece na prática.

Na nossa sociedade, mesmo que as instituições sociais estejam ao serviço da população, apropriam-se da responsabilidade de serem elas mesmas a definir - em vez das redes primárias - as necessidades destas últimas e os serviços de que necessitam. As redes primárias aceitam geralmente esta situação e adaptam as suas necessidades aos serviços que lhe são oferecidos.

 

O rapport entre as diversas redes; sua importância.

Se até este momento, por uma questão de facilidade de exposição, poderá ter ficado a falsa ideia de que as diferentes redes são blocos ou unidades homogéneas, distintas umas das outras, a realidade é precisamente a inverso. Os indivíduos pertencem geralmente a várias redes. O rapport que se estabelece entre elas poder-se-á traduzir através de um efeito reforçador mútuo com vista à concretização de objectivos comuns, como no exemplo seguinte: a eficácia de uma equipa de saúde pode encontrar-se acrescida pela formação de uma rede primária de afinidades, quer na própria  equipa quer com outras Equipas de Saúde com que se articule.

Pelo contrário, na configuração das relações interpessoais surge a possibilidade de conflitos e tensões dentro de uma mesma rede, o que virá a influenciar o rapport entre as diversas redes. Neste contexto qual a atitude que permitirá "jogar em plena luz" tais situações, de modo a tornar possível a emergência de um projecto colectivo, sem necessariamente procurar resolver estes conflitos ou fazer desaparecer todas estas tensões? Com vista a uma melhor explicitação da natureza e qualidade desta atitude, consideram-se quatro características: (1) A livre circulação de informação, das mensagens e dos sentimentos nos seus rapports endógenos e exógenos; (2) A capacidade de oferecer uma presença a toda a prova, isto é, a capacidade de imergir no mundo subjectivo do outro e de partilhar a sua experiência sem se deixar "sufocar". Esta atitude, nem sempre fácil de manter atendendo às resistências encontradas, torna-se por vezes insustentável sendo mais fácil abandonar a rede. Torna-se fundamental para poder manter a sua presença duas características: (a) Autenticidade - Ser autêntico pode-se traduzir pela não adopção de atitudes "mascaradas" ou, dito de outra forma, que não têm significação real ou não traduzem as convicções profundas de quem as toma; (b) Respeito pelo ritmo da rede - deve-se respeitar o ritmo da rede e não procurar acelerá-lo, excepto em situações em que existe uma violência expressa, que se reveste de uma gravidade tal que necessita de intervenção urgente. (3) Uma relação humanizante e de confiança que privilegie o indivíduo e o seu colectivo e não o problema; Em tal contexto a rede poderá vir a considerar"positivamente" o facto de que a sua imagem possa vir a ser mudada. Pelo contrário, privilegiando a situação-problema tem-se uma visão estática desta, dá-se uma resposta do mesmo tipo, e reforçam-se as resistências e os condicionamentos anteriores. (4) A capacidade de agir no presente e de integrar as experiências vividas, ultrapassando bloqueios criados  pelas angústias vivenciadas no passado ou pelas apreensões relativamente ao futuro. Tal é possível quando se favorece o debate das contradições, procurando a partir da Tese e da Anti-tese fazer emergir uma "nova" Síntese. É através desta que se torna possível transcender a contradição e atingir um novo nível, onde as diferenças coexistem ajudando a rede a adquirir uma visão mais relativizada das suas vivências.

Em conclusão: parece importante afirmar que na prática logo que surgem desacordos, mas os níveis de rapport são claros, a capacidade de resposta a estes resulta do facto desta surgir, não a partir de uma abstracção mas de uma prática que privilegia a autenticidade, o respeito, a estima, a compreensão, a humildade e a sã afirmação, quer o resultado dos rapports seja complementar ou simétrico.

 

Equipa Multidisciplinar, Rede / Intervenção em "Silo"

A multidisciplinaridade garante teoricamente uma abordagem global do indivíduo e do seu meio. Contudo, na prática a tendência a instalar-se pouco a pouco uma divisão do trabalho origina, de acordo com as dificuldades surgidas, que umas sejam referenciadas, por exemplo, ao psiquiatra, outras à assistente social, outras ao médico de família, surgindo vias paralelas de intervenção e uma cisão das intervenções. No seu ponto de articulação, estas várias dimensões são descodificadas em termos diferentes quando se trata de abordar o psíquico, o social, o biológico, pois cada classe de interventores e cada interventor, partindo do seu próprio sistema de "valores", elabora a sua intervenção em função deste. É em nome destes "valores", que se confrontam ao longo de toda a intervenção, que se elaboram as soluções.

As instituições, por sua vez, portadoras de um "mandato" e de uma "visão" da sociedade, agindo segundo uma concepção normalizante do indivíduo e das suas condições de bem-estar, exercem também um controle social que torna ilusórias as mudanças inscritas nos seus objectivos.

Deste modo, a ligação que prevalece não é fundamentada nas necessidades do beneficiário dessas mesmas instituições mas prevalece sim em função de uma concepção clivada do indivíduo e do colectivo, e das reais necessidades desse mesmo indivíduo. A esta realidade estrutural corresponde igualmente uma concepção mecanicista da resolução dos problemas, onde a sua identificação e "solução" representa um conjunto de imperativos tecnocráticos, onde problemas e soluções específicos chamam a si saberes específicos, o que por sua vez mais reforça as relações de poder entre as instituições e os seus beneficiários.

A fim de procurar evitar tal situação, tornar-se-á necessária uma mudança de estratégia e de atitudes por parte das instituições e dos seus técnicos, que não se caracteriza mais em termos de condições sociais, de mecanismos intra-psíquicos, de relações familiares, de uma comunicação específica, mas sim como um todo em simultâneo em que as interrelações são um eixo do mesmo trabalho. Tal modo de actuação nem sempre é fácil de pôr em prática, pois exige de quem o pratica plasticidade suficiente para se sujeitar a uma avaliação contínua e consequentemente estar mais facilmente sujeito a frustrações e ansiedades concomitantes, o que cria por vezes sentimentos de impotência e uma quebra da omnipotência, até aí "alimentada" pela instituição. Surgem também os mais variados problemas de gestão, como por exemplo o horário de trabalho, a sectorização territorial, o levantamento da área, e sobretudo as modalidades de avaliação das acções desenvolvidas.

É através desta avaliação que se torna possível a adopção de uma atitude mais realista, liberta da "máscara" de detentores de soluções, que privilegie a solidariedade e interdependência, renuncie a uma lógica directivista e procure, respeitando o ritmo e as etapas do desequilíbrio, o reequilíbrio. Assim, impõe-se como primeiro movimento "sair dos gabinetes" e, através da inscrição de uma presença quotidiana nas redes em que se intervêm, procurar favorecer a "construção" de alternativas à intervenção institucional, e tornando tal processo explícito.

Esta nova atitude implica necessariamente opções diferentes e uma mudança de perspectiva espácio-temporal a que não serão alheias, entre outras, as resistências de uma Instituição habituada a considerar todos os "pedidos" que lhe são feitos sob a sua alçada e as próprias resistências da rede em que se intervém, que ao aceitar a atitude normalizante da instituição vê nela o"filtro mágico" dos seus "problemas".

Quebrando a "máscara" melhor se poderá entender o processo de socialização de cada indivíduo e o sentido da sua existência, individual e colectiva, o que ajudará a "construir" cada intervenção não em função do que cada um julga serem as necessidades dos outros, mas sim com base naquilo que os outros deixam "ler".

 

Intervenção em Rede: Instituição/Comunidade.

Como já atrás foi referido, o rapport entre as redes primárias e secundárias encontra-se invertido ou, dito de outra forma, é a oferta que condiciona a procura e não o contrário (FIG. 2)

Tal atitude traduz, em certa medida, a tendência de um sistema sociopolítico que gerindo as instituições segundo a lei da oferta e da procura, acentua um desequilíbrio de forças no qual as instituições determinam a procura e os clientes condicionam-se à oferta.

A intervenção em rede procura estabelecer neste rapport a autonomização e colectivização das redes primárias, de modo a serem estas a condicionar a oferta. A aplicabilidade de tal projecto às Instituições de Saúde implica uma mudança de nível que vise a libertação do indivíduo -"utente" de um estádio de dependência para um outro, que privilegie a autonomização de todo um colectivo onde ele se insere. A concretização de tal projecto é dificultada pela existência de forças que tendem a agir em sentido contrário, quer nas redes primárias quer nas secundárias; para ultrapassar tal situação há que favorecer a capacidade de negociação dos "contrários", visando uma nova orientação em relação aos eixos considerados.

            Eixo Individual-Colectivo: Relativamente a este eixo, como usualmente há um carácter dialéctico subjacente à sua movimentação, dever ter-se presente que ao mesmo tempo que a rede primária formula o seu pedido de ajuda em termos individuais há uma tendência implícita que favorece a formulação de uma procura que implica todo um colectivo. De maneira análoga a instituição, através dos seus técnicos, oferece serviços que se destinam mais a curar ou a "corrigir", mas ao mesmo tempo desenvolve um pensamento e acção de tipo comunitário. No sentido de ultrapassar esta dupla tendência há que facilitar todo e qualquer movimento no sentido de uma maior colectivização da procura a nível das redes primárias, e a nível da equipa criar serviços que complementem tal prática. O exemplo seguinte pretende, em certa medida, traduzir tal prática: Quando é expresso por alguém um pedido de ajuda, em vez de se adoptar uma atitude normalizante - valorizando exclusivamente o sintoma - deve-se, pelo contrário, procurar "reconduzir" esse alguém para o colectivo de que faz parte e no qual desempenha um papel. Deste modo, se no inicio, a procura de ajuda estava focalizada nas dificuldades do individuo, de "imediato" é encaminhada para o colectivo.

            Eixo Dependência-Autonomia: Tal como no eixo anterior, surge uma dupla tendência contraditória. Os técnicos, assumindo o papel de detentores de um saber privilegiado tendem, num primeiro momento, a alienar a procura de ajuda às condições da oferta e num segundo momento "liberalizam" a procura, face ao poder dominador da oferta sobre aquela. Por parte de quem pede ajuda, surge uma atitude análoga: uma tendência mais ou menos pronunciada no sentido de apelar às ofertas dos serviços - apesar da atitude alienante destes -, e uma atitude de contestação relativamente a esta dependência da oferta de serviços. Perante esta situação torna-se necessário que a instituição e a rede primária não se inscrevam numa posição tal que uma seja alienante na sua oferta de serviços e a outra alienada na sua procura de ajuda. Nesta perspectiva há que favorecer na instituição alternativas que remetam às redes primárias todo o seu potencial de saber prático e nas redes secundárias a emergência de tal saber.

 

Em síntese

Poder-se-á dizer que um projecto de intervenção em rede visa reforçar nas Redes Primárias a sua dimensão colectiva e o seu poder de conhecer e regular os seus próprios problemas; e a nível das Redes Secundárias transcender uma postura fundamentada na "teorização do sintoma"e na lei da oferta, através de uma mudança de atitude em que o interventor mais do que mero observador das redes primárias é também "actor", ao mesmo tempo que procura no dia-a-dia dar resposta aos pedidos de ajuda que lhe são dirigidos, a partir da reflexão contínua da sua prática.

 

Como diz Richard Rousseau "a rede revela-se ao interventor na medida em que as suas acções e atitudes favorecem a emergência do discurso do meio".

 

 

 



* (...) A nossa época está marcada pelo "fenómeno Rede". (...) É um fenómeno que pertence não só à Ciência, mas também à vida social. Cada indivíduo situa-se numa Rede. Rede é assim um "objecto topológico", constituído por NÓS, Entroncamentos, Cruzamentos (i.é. lugares, memórias, estados) e com ligações (comprimentos, distâncias...). Enfim, Rede é um espaço Social formado de lugares, articulações, interacções.

 



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