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CRIANÇA
Criança

Os Efeitos do Trauma e da Violência nas Crianças e Adolescentes
2011-09-02

 

Beatriz Pena 

A violência de que são vítimas as crianças e os jovens em todo o mundo é uma área que nos incomoda profundamente e que em cada dia que passa se torna mais preocupante.

A violência e os traumatismos podem apresentar-se sob as mais diversas formas, desde os tão falados maus tratos às catástrofes naturais, às situações de guerra, passando também pelos Media.

Temos neste contexto duas certezas: quanto mais repetidas e prolongadas são as experiências traumatizantes, maior é o dano na Saúde Mental das crianças e no seu futuro; sabemos também que as intervenções precoces são as que garantem maior êxito - muitas realizadas pelas equipas de urgência.

ALGUNS DADOS PARA NOS SITUARMOS

14% a 23% das crianças são vítimas no mínimo de um acontecimento traumático durante a sua vida. (International Society for Traumatic Stress)

 20 milhões de crianças abandonaram os seus lares devido à guerra e 4 milhões ficam inválidas por razões de conflito armado ou de violência política. (International Save the Children Alliance)

 2 milhões de crianças foram mortas durante os anos 90; cerca de 6 milhões gravemente feridas ou inválidas e 12 milhões tornaram-se        sem-abrigo. Mais de 1 milhão ficaram orfãs ou foram separadas dos seus familiares. (UNICEF)

 40 milhões com idade inferior a 15 anos são vítimas todos os anos de violência e privações. (O.M.S.)

 30% a 60% dos maus tratos acontecem na família. Cerca de 4 milhões de adolescentes foram vítimas de violência grave e 9 milhões testemunharam actos de violência. Cada ano um aluno do liceu em 12 é ameaçado com uma arma de fogo ou mesmo ferido. (National Center for Children Exposed to Violence - USA)


TIPOS DE VIOLÊNCIA E DE TRAUMATISMOS QUE VITIMIZAM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

A - Violência Familiar: violência física, sevícias sexuais, abandono e negligência, maus tratos psicológicos;

B - Violência Comunitária: violência da qual o indivíduo é testemunha ou mesmo atingido através de actos interpessoais perpetrados por pessoas que não estão directamente ligados às vítimas.
Na Europa e Ásia Central 21% das crianças sentem-se ameaçadas nas zonas urbanas e 11% na rurais (11% rapazes e 15% raparigas). (UNICEF)
Entre 40% a 50% referem medo intenso no seu próprio bairro devido a: ruas mal iluminadas; agressões, rixas, e delitos de rua; circulação intensa; cães vadios perigosos (20%); perigosidade nas escolas e terrenos circundantes.
Uma das consequências de todos estes tipos de violência são os Homicídios - 4ª causa de morte entre os 1 e 4 anos; 3ª causa de morte entre os 5 e 14 anos; 3ª causa de morte entre os 15 e 24 anos.
Consequências da Violência Familiar e Comunitária no Desenvolvimento da Criança e do Adolescente
A violência afecta todas as crianças incluindo os recém-nascidos e lactentes (atraso do crescimento, atraso do desenvolvimento e da linguagem)
Provoca uma visão negativa e hostil do mundo (baixa auto-estima, depressão, insucesso escolar, etc.)
As sevícias sexuais levam a uma maior probabilidade de problemas sexuais na vida adulta
A violência e as sevícias sexuais tornam as crianças agressivas e consequentemente adultos agressivos. A probabilidade de se tornarem delinquentes é muito maior do que na população em geral
A violência familiar e comunitária leva a um aumento, na vida adulta, da apetência para a doença mental, o consumo de drogas e álcool.


Estratégias de Intervenção

Para quebrar o ciclo intergeracional - crianças e jovens vítimas deste tipo de violência poderem perpretá-la na vida adulta - deve-se:

Fomentar programas de prevenção e intervenção junto da criança, pais e comunidade (na criança, melhorar o seu amor próprio e negociar conflitos de modo não violentos).

Melhorar a comunicação entre organismos oficiais com formação dos agentes sociais e tornar realidade a comunicação inter-serviços e intersectorial.

Alterar ou modificar a hierarquia das prioridades: securizar e proteger a criança; intervir no elemento do casal não violento; responsabilizar o agente agressor e retirá-lo da família.

Fomentar a criação de programas psicoterapêuticos com Técnicos habilitados a encorajar as vítimas à discussão dos sintomas e à gestão positiva dos mesmos.

Actuação na família nuclear com apoio à relação mãe-criança, especialmente na idade pré-escolar.

São seis as medidas a executar:

1) Intervenção junto das crianças e jovens a fim de romper o ciclo de violência intergeracional;

2) Intervenção junto dos adultos para romper o esquema da violência -junto das vítimas e do agressor;

3) Intervenção junto da comunidade para uma educação não violenta;

4) Obtenção da protecção das forças da ordem para as vítimas;

5) Prestação de informação e práticas exemplares;

6) Ajudar as crianças e as famílias das zonas rurais.


 

Repercussões da violência e dos acontecimentos traumáticos sobre o desenvolvimento psicoafectivo e mental da criança

  • Medo intenso;
  • Perturbações do sono (dificuldade em adormecer ou em se manter a dormir, pesadelos);
  • Hipervigilância;
  • Recordações e sonhos perturbados;
  • Comportamentos agitados ou desorganizados;
  • Respostas de alarme exageradas;
  • Agressividade e depressão;
  • Alterações digestivas (anorexia, bulimia);
  • Acessos de cólera.

C - Violência dos Media

Nos E.U.A. qualquer criança antes de atingir os 18 anos já assistiu a   100 000 actos de violência na televisão tendo 8 000 retratado a morte. (National Institute on Media on the Family)
Cada criança vê por ano 1 023 horas de televisão e tem 900 horas de escolaridade.
Mais de 1 000 trabalhos científicos referem existir uma relação clara entre violência a dos media e o comportamento agressivo.
Todas as crianças são impressionáveis, mas as que têm menos de 7 anos são particularmente sensíveis e influenciáveis pelos media. As notícias provocam stress e ansiedade, tal como os sites na internet.


Repercussões dos Media no Desenvolvimento
 

  • Comportamento agressivo e mais tarde anti-social;
  • Insensibilidade e indiferença à violência e às suas vítimas;
  • Visão de um mundo violento e cruel;
  • Atitudes de agressividade perante actos normais da vida real;
  • Aceitação da violência como meio para gerir os conflitos (a agressão pode ser imitada pelas crianças sempre que o seu autor é recompensado ou não é punido, ou quando a violência é apresentada como uma justificação para resolver os problemas). 
    (U.S. Congressional Public Health, Summit 200


Incidência dos Media Segundo as Etapas do Desenvolvimento

1ª Infância ( até aos 36 meses)
Imitam tudo o que vêm e têm especial interesse pela televisão, banda desenhada e personagens muito activas.

Fase Pré-Escolar
Têm mais tendência para os efeitos da produção. Há uma enorme apetência para prestar atenção à violência, especialmente à violência da banda desenhada.

Idade Escolar
É um dos períodos em que a criança tem uma maior crítica, o que lhe permite compreender os efeitos da T.V. sobre a agressão. Já possuí capacidade cognitiva para seguir as intrigas, perceber as motivações e as suas consequências. É também mais sensível às influências da mediação, das atitudes moderadoras e do efeito negativo da violência ( boa altura para se intervir).

Adolescência
Período das identificações aos personagens de televisão, em especial aos heróis violentos, especificamente aos agressivos - heróicos.

Estratégias de Intervenção
Para diminuir a incidência da violência dos Media nas crianças e adolescentes:

  • Controlar os media na vida da criança. Restringir o acesso e propor escolhas, falando das emissões e dos programas.
  • Impor limites claros, saber dizer não com firmeza. Limitar os jogos de vídeo e da televisão a 2 horas por dia. Investir no dispositivo electrónico que permite limitar o acesso a certos canais.
  • Nunca usar a televisão como baby-sitter.
  • Jamais tornar a televisão o núcleo central da vida em família. Nunca a colocar nos quartos das crianças.
  • Propor outro tipo de passatempos: leitura, jogos, música, desporto, etc.
  • Interditar as emissões inaceitáveis. Explicar às crianças o porquê e torná-las mais críticas (os adultos não devem dar maus exemplos).
  • Tentar motivar a criança para emissões de qualidade e acompanhá-la.
  • Ver sempre, pelo menos, um episódio dos programas que a criança aprecia.
  • Não entrar em pânico só porque um filho viu um programa que não devia. O que conta são os efeitos cumulativos e não os episódios isolados.
  • Servir-se da televisão para abordar tema difíceis como o divórcio, a sexualidade, consequências da violência, etc.

PREVENÇÃO DOS MAUS TRATOS
Fomentar uma cultura anti-violência com informação da comunidade.
Promoção da Saúde Mental Infantil.
Preparação/ Formação de Técnicos que trabalham com crianças.
Ensino aos futuros pais.
Estimulação da relação precoce mãe-filho.
Protecção legal e criação de mais estruturas sociais de apoio à maternidade e à criança.
Promoção da melhoria das condições de vida, saúde e emprego. Combate ao trabalho infantil, ao alcoolismo e à toxicodependência, entre outros.

 

BibliografiA

· "American Psychiatric Association, Diagnostic and Statistical manual of mental disorders", 4ª edition, Washington DC, American Psychiatric Association, 1994;
· "Council on Scientific Affairs: Health care needs of homeless and runaway youths". Jama 262 -1358, 1989;
· Guides de APHP (Assistence Publique - Hopitaux de Paris), " Enfants et adolescents victimes de maltraitances : leur prise en charge aux urgences", Doire editeur ;
· Hayez I-Y, "Les abus sexuels sur des mineurs d'âge : inceste et abus sexual extra-familial", Psychiatrie de l'enfant, XXXV-1, 197-271,1992 ;
· Janus M, Burgess A.W., McCormack A.: " Histories of sexual abuse in adolescent male runaways", Adolescence 22: 405, 1987;
· Robertson J.M.: "Homeless adolescents. A hidden crises", Hosp. Community Psychiatry 39: 475, 1988;

 



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