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IDOSO
2011-09-02

O ritmo de vida e as regras de conduta impostas pelas sociedades contemporâneas representam um factor de marginalização dos idosos e um risco acrescido de estes se tornarem vítimas de violência.
A ruptura de laços tradicionais entre gerações e o enfraquecimento dos sistemas de protecção social tendem a gerar situações de violência, designadamente, sobre a população mais vulnerável, como é o caso dos idosos.
O aumento da esperança de vida e do número de idosos já conduziram à necessidade de distinguir dois grupos, com comportamentos e vulnerabilidades diferentes, na população com mais de 65 anos - os idosos e os grandes idosos.

- Quais são as principais  causas de violência na família?
Pode ser motivada pela apropriação, não desejada, dos bens do idoso pelos seus familiares, levando a uma perda de autonomia e de poder do idoso; pela desresponsabilização dos familiares pelos cuidados de sobrevivência do idoso, deixando este abandonado; ou pela reversão das funções de autoridade dentro da família, passando o idoso a ser comandado por alguém de uma geração mais nova a quem terá de obedecer. Trata-se, em geral, de manifestações de uma violência mais simbólica e psicológica do que física, mas nem por isso menos marcante e efectiva.

- Quais são as principais causas de violência nas instituições que acolhem idosos?
Nas instituições a violência torna-se, muitas vezes, mais aparente devido ao maior distanciamento afectivo, à impessoalidade dos cuidados e a um regime disciplinar demasiado apertado e rígido. A situação agrava-se sempre que as instituições sofrem de falta de recursos - o que parece ser a regra -, e não conseguem satisfazer as necessidades dos idosos que elas acolhem. O reflexo da falta de recursos evidencia-se na impreparação e na falta de estímulo das pessoas que nelas prestam os cuidados aos idosos e na própria baixa qualidade dos serviços prestados. Daí a imagem negativa que muitos idosos têm das instituições e a violência que representa, nesses casos, a falta de alternativas à sua institucionalização.

- O que é que contribui para a degradação da condição social dos idosos e para a difusão de uma cultura de violência?
De uma forma geral a sociedade tolera - e, por isso, torna-se cúmplice - do abandono, da falta de respeito e da degradação da condição social dos idosos, contribuindo assim para a difusão de uma cultura de violência (decerto camuflada) contra aqueles que não se integram nos novos padrões sociais de beleza, dinheiro e consumo. A comunicação social, designadamente a televisão tão apreciada pelos idosos, cumpre um papel fundamental no exacerbamento destes valores: nos anúncios raramente aparecem idosos, os bens de consumo anunciados raramente lhes são acessíveis e a toda a hora são enfatizados os valores da juventude.

- Que processos podem conduzir à marginalização dos idosos e ao exercício de violência simbólica a que muitas vezes se encontram sujeitos?
A marginalização dos idosos e a violência simbólica que contra eles é exercida operam através de processos complexos e nem sempre visíveis. Um desses processos é de natureza comunicacional. Sabe-se como, com o passar dos anos, as pessoas vão adquirindo competências culturais, linguísticas, verbais e gestuais profundamente radicadas nos contextos sociais em que a sua vida se desenrola - família, trabalho, comunidade, lazer - e assumindo diferentes modos de se exprimirem. Ignorar estes factos ou exigir que os idosos se comportem e comuniquem de acordo com os modelos actualizados é uma forma de exercício de violência simbólica, que muitas vezes dificulta as relações inter-geracionais e conduz à exclusão dos idosos da vida familiar e social.

- Quais são os principais factores que determinam as diferenças notórias que se verificam entre idosos com a mesma idade cronológica?
O processo natural do envelhecimento também favorece a marginalização, mas é importante reconhecer que não foi sempre assim. No passado, o envelhecimento era valorizado pela sabedoria de vida que traz associada. Em geral, os idosos convivem com uma sensação desconfortável de "perda" e de "luto" numa sucessão demasiado rápida, que significa também a proximidade do seu próprio fim (Stevenson, 1989). Qualquer que seja, porém, a importância do fenómeno biológico do envelhecimento, o que importa acentuar aqui é que, na grande maioria dos casos, as diferenças notórias com que deparamos entre pessoas da mesma idade se devem sobretudo a factores externos, de ordem social, que foram actuando ao longo do tempo (como o regime alimentar, a natureza do trabalho, a instrução, a vida familiar e profissional, as condições de habitação). É assim que, na mesma população, alguns indivíduos têm o seu processo de envelhecimento acelerado, pelo sobreconsumo do seu próprio corpo, enquanto que outros puderam defender-se, preservando a sua saúde e, retardando, deste modo, o seu envelhecimento.

- Como podemos contribuir para melhorar a auto-estima dos idosos?
O ritmo de vida e as regras de conduta impostas pelas sociedades contemporâneas representam um outro factor de marginalização e de exercício de violência simbólica sobre os idosos. Estes têm de respeitar as restrições e as proibições que permitem viver nestas sociedades. Esta nova disciplina tanto opera no seio das famílias, como nas instituições e na sociedade em geral deixando um rasto de constrangimentos e de violência bem visíveis. Não cremos ser fácil mudar essa tendência, inverter o sentido da evolução social. No entanto, o reconhecimento desta realidade torna-se muito importante para melhorar a auto-estima dos idosos. Assim, pequenas mudanças de atitude, como por exemplo substituir a expressão "não faça isto" por "passe a fazer antes isto", ou "passe a fazer desta forma porque se vai sentir melhor" marcam a diferença. O mesmo com a tendência para se infantilizarem os idosos - por exemplo, utilizando muitos diminutivos na comunicação com eles - o que lhes diminui importância e os torna menos confiantes em si próprios.

- Como devemos agir para diminuir as intoxicações medicamentosas dos idosos?
Os idosos com o avançar da idade começam a apresentar queixas físicas, são em geral consumidores de vários medicamentos em simultâneo e precisam frequentemente de ser ajudados para não errarem a forma como os medicamentos devem ser administrados. Não podemos esquecer que eles eliminam as drogas com mais lentidão do que os adultos e estão muitas vezes sujeitos a intoxicações medicamentosas.

- A infantilização dos idosos por parte de quem deles cuida não pode contribuir para a sua marginalização social, tornando-os menos confiantes em si próprios?
O ritmo de vida e as regras de conduta impostas pelas sociedades contemporâneas representam um outro factor de marginalização e de exercício de violência simbólica sobre os idosos. Estes têm de respeitar as restrições e as proibições que permitem viver nestas sociedades. Esta nova disciplina tanto opera no seio das famílias, como nas instituições e na sociedade em geral deixando um rasto de constrangimentos e de violência bem visíveis. Não cremos ser fácil mudar essa tendência, inverter o sentido da evolução social. No entanto, o reconhecimento desta realidade torna-se muito importante para melhorar a auto-estima dos idosos. Assim, pequenas mudanças de atitude, como por exemplo substituir a expressão "não faça isto" por "passe a fazer antes isto", ou "passe a fazer desta forma porque se vai sentir melhor" marcam a diferença. O mesmo com a tendência para se infantilizarem os idosos - por exemplo, utilizando muitos diminutivos na comunicação com eles - o que lhes diminui importância e os torna menos confiantes em si próprios.

- Como podemos evitar que a diminuição da capacidade auditiva ou da capacidade visual dos idosos se torne um motivo da sua exclusão dos espaços de convívio?
Com o passar dos anos a capacidade auditiva dos idosos também diminui e se não estivermos atentos a isso eles facilmente são excluídos dos espaços de convívio, por isso aumentar um pouco o som da televisão e da radio, ter o cuidado de falar um pouco mais alto e de frente para a pessoa facultando-lhe além do som a mímica facial, pode funcionar como um meio de inclusão nos espaços de convívio. O mesmo se passa em relação à visão que também vai diminuindo, por isso os idosos devem estar em espaços bem iluminados e com uma relação de proximidade com as coisas que querem observar, quando isto não acontece podem desmotivar-se e começar a preferir estar em locais pouco iluminados onde pensam passar despercebidos.

- Como devemos agir para que a modificação do ritmo do sono com o avançar dos anos não pareça estranho e não entristeça os idosos?
O ritmo do sono também se modifica com o avançar dos anos, os idosos gostam de se deitar cedo e como não necessitam de dormir muitas horas também acordam muito cedo. É importante que as pessoas que convivem com eles não achem este facto estranho não estabeleçam comparação com as outras pessoas da casa e não se mostrem incomodados com isso, pelo contrário, devem entusiasmá-los para que se levantem quando já não querem dormir mais, comecem a sua higiene diária, tomem a primeira refeição da manhã e comecem a desempenhar algumas tarefas. Frequentemente os idosos se queixam de que passam muito tempo na cama acordados e a pensar na triste vida que têm.



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