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MULHER
Mulher

Isolamento Social e Violência Conjugal

Madalena Alarcão e Sónia Ribeiro

1. Introdução

A violência conjugal é aquela que ocorre entre dois cônjuges, podendo ser exercida pelo homem contra a mulher, pela mulher contra o homem, ou pode ainda assumir um carácter recíproco, isto é, do homem contra a mulher e vice-versa (violência cruzada). Neste texto, quando utilizamos o termo violência conjugal, estamos a reportarmo-nos exclusivamente à violência exercida pelo homem contra a mulher.
Um dos tipos mais frequentes de mau trato no contexto da violência conjugal é o abuso emocional. De referir que um grande número de mulheres que foram vítimas de violência conjugal e que foram submetidas a abusos físicos e emocionais, afirmam que estes últimos produzem sequelas mais deteriorantes e adversas. O abuso emocional assume diferentes formas, tais como: assédio verbal/criticismo; ciúmes/possessão; ameaças de agressão ao próprio, à mulher vítima, aos filhos, ou ainda a uma propriedade pessoal, bem como ao próprio relacionamento; e ainda o isolamento (Follingstad et al., 1991).
É o isolamento social na relação conjugal violenta que passamos sumariamente a analisar.

2. Isolamento e Violência Conjugal
O isolamento social na violência conjugal está relacionado com o desejo de o homem dominar e controlar a mulher. O agressor não demonstra respeito nem reconhece a autonomia da mulher, tratando-a como se fosse sua propriedade pessoal. O isolamento diz respeito aos itens relacionados com as exigências do agressor em termos de submissão, de subserviência e de imposição do afastamento da vítima de outras pessoas e recursos sociais (Katz & Arias, 1999). Desta maneira o homem acredita que pode controlar o que a mulher faz, quer, pensa e sente. Através da imposição do isolamento, o homem acalma os seus próprios medos de ser abandonado e os seus intensos sentimentos irracionais de ciúmes e dificulta a procura de ajuda por parte da mulher.
O isolamento social é, assim, uma das estratégias utilizadas pelo agressor para manter a mulher na relação violenta, uma vez que ele contribui para a perpetuação da violência conjugal. Perante o isolamento social, estas mulheres não terão, potencialmente, tantas possibilidades para lidar com os problemas de forma activa, nem para usufruírem de ajuda externa, diminuindo, desta forma, a sua capacidade de lidarem com este tipo de violência.
A percepção de que os outros poderão providenciar os recursos necessários a saída da relação violenta pode redefinir a percepção que o indivíduo tem do grau de ameaça em que se encontra, ou em que pode vir a estar, assim como pode reforçar a noção que o próprio tem face à sua capacidade de adaptação às exigências impostas pela violência conjugal. Pelo contrário, a falta de apoio social nas mulheres vítimas de violência conjugal pode dificultar-lhes a saída do contexto de violência, o reenquadramento necessário à transformação da relação violenta e da visão que a mulher tem de si própria, das suas competências e dificuldades, como pode ser também um entrave à mudança de atitudes e de valores, ao fornecimento de informações, etc.
No entanto, e apesar do isolamento ser imposto pelo agressor, a mulher também adopta esta medida, uma vez que considera que quanto mais isolada estiver menos razões terá o companheiro para ser violento. A mulher maltratada tem incorporados modelos de dependência e de submissão e, habitualmente, experiencia sentimentos de indefesa e impotência. São pessoas receosas, com uma baixa auto-estima, percebendo-se como inúteis, tontas ou loucas, tal como os companheiros o repetem constantemente, tendendo, logicamente, para o isolamento. Geralmente ocultam a violência. Também, e não raramente, as mulheres vítimas de violência conjugal apresentam o diagnóstico do Distúrbio Pós Stress Traumático, pelo que podem desenvolver estratégias de coping negativas, como, por exemplo, o isolamento social.
Este isolamento contribui, sublinhamo-lo uma vez mais, para que a mulher manifeste uma diminuição da capacidade de actuação e para que não se perceba como agente de poder e de direito. Por outro lado, as mulheres maltratadas têm, frequentemente, receio de confiar novamente em alguém, uma vez que foram traídas pela pessoa em quem confiavam, por vezes, cegamente - o cônjuge. Ficam assim presas de um verdadeiro double-bind: assumirem que o cônjuge não é digno de confiança é perderem a esperança na sua própria capacidade de confiarem nos outros (se este é assim os outros também o serão!) e nas suas próprias competências (elas que não foram capazes de escolher a pessoa certa nem de a transformar!); considerarem que o futuro pode ser melhor permite-lhes manter a esperança embora perpetue a violência e o abuso. Para resolverem o double-bind, estas mulheres assumem, muitas vezes, comportamentos paradoxais, inconsequentes e pouco construtivos, nomeadamente ao nível da relação conjugal: fogem à relação abusiva e voltam ao primeiro telefonema que o homem lhes faz; fogem da relação abusiva e escolhem um companheiro semelhante àquele que deixaram; fogem da relação abusiva e envolvem-se numa nova relação de co-habitação com alguém que conheceram há apenas uma ou duas semanas. A (in)dependência interpessoal assume, pois, um colorido muito particular neste contexto e a falta ou fragilidade da rede social destas mulheres em nada as ajuda a reenquadrar as suas dificuldades ou os seus comportamentos.
Todos sabemos que os vínculos interpessoais nos são tão vitais como o próprio ar que respiramos: quando a rede social é muito ténue, não só nos encontramos mais sós connosco próprios como sentimos mais a falta do apoio dos outros. Desta forma, dado que os outros nos ajudam a configurar a nossa própria identidade, perdas que podem parecer triviais transformam-se em aspectos centrais e o seu efeito amplifica-se como se estivesse numa caixa de ressonância (Alarcão, 1998). Ross von Speck (in Elkaim, 1987) define rede social como um grupo de pessoas, membros da família, vizinhos, amigos e outras pessoas susceptíveis de trazerem ao indivíduo, ou à família, uma ajuda; apoios esses que são ao mesmo tempo reais e duráveis. Do que acabamos de referir, deduz-se, facilmente, que a rede social pessoal destas mulheres é pobre, tanto quantitativa quanto qualitativamente. Olhemos, contudo, para alguns dos resultados de uma investigação que conduzimos e que realizámos no primeiro trimestre de 2001.

3. Rede Social Pessoal em Mulheres Vítimas de Violência Social Acolhidas em Casas Abrigo Portuguesas
No âmbito de uma investigação exploratória de natureza quantitativo-correlacional (Ribeiro, 2001), passámos a 63 mulheres, vítimas de violência conjugal e acolhidas em diversas casas abrigo portuguesas, os seguintes instrumentos de avaliação:
1) uma Escala de Avaliação do DPST,
2) o Brief Symptom Inventory (BSI) e

3) um questionário sócio-biográfico cuja terceira parte consistiu na adaptação do Instrumento de Análise da Rede Social Pessoal.

O referido estudo concluiu que o tamanho médio da rede social das mulheres vítimas de violência conjugal acolhidas em casas abrigo portuguesas ronda os 7 elementos. Ainda que não existam valores normativos para o tamanho das redes é habitual considerar-se que o seu valor ronda os 20 elementos. Assim, estas mulheres apresentam uma rede bastante reduzida. As redes reduzidas são menos eficazes em situações de sobrecarga ou de tensão, já que os sujeitos começam a evitar os contactos para não correrem o risco de se sentirem sobrecarregados. As vítimas que referiram ainda sentir as mudanças provocadas pela violência conjugal apresentam, em média, uma rede mais diminuta, quando comparadas com aquelas que afirmam já não sentir essas diferenças.
Atendendo à sua composição, a rede mais frequente é a rede mista, embora tendencialmente primária, ou seja, a rede predominantemente constituída por pessoas com quem o sujeito tem laços de natureza informal (rede primária) apesar de nela também se integrarem elementos com quem mantém vínculos de natureza formal (normalmente técnicos de instituições de saúde e de apoio à vítima - rede secundária). Surge, depois, a rede mista tendencialmente secundária (onde predomina o apoio e o enquadramento institucional) e, finalmente, a rede exclusivamente  primária ou familiar. Torna-se, pois, evidente que, na relação com estas mulheres, há que trabalhar com os vínculos de natureza informal de modo a que eles não só não sejam descurados como sejam potenciados. Com efeito, os vínculos informais são não só muito mais duradouros no tempo, como as novas orientações ao nível das políticas sociais apontam para uma (des)institucionalização dos apoios sociais. Embora saibamos que a intervenção em rede mista tendencialmente primária não constitui um projecto fácil, a sua execução poderá ser não só importante no apoio a dar à vítima como na própria mudança de atitudes e de valores.

Pormenorizando um pouco mais a informação obtida relativamente aos diferentes quadrantes da rede, o estudo concluiu que são os vínculos familiares que assumem maior relevância, aparecendo o quadrante familiar como o núcleo central da rede. Isto causa alguma preocupação pois quando a rede se centra num só quadrante, e particularmente no quadrante familiar, tende a gerar menor flexibilidade e efectividade, criando menos opções para os seus membros. Por outro lado, o contexto familiar destas mulheres é pouco seguro, quando não é mesmo muito inseguro, o que aumenta a paradoxalidade da situação em que vivem. Depois das relações familiares surgem as relações de âmbito institucional, o que, neste estudo, pode estar directamente relacionado com o facto destas mulheres se encontrarem temporariamente institucionalizadas e nos remete para a importância que este contexto pode assumir na transformação das suas próprias narrativas. Já as relações de amizade apresentam um valor médio bastante reduzido, o que poderá estar associado quer ao isolamento social de que são vítimas quer ao facto de ser o quadrante das relações de trabalho ou de estudo aquele que ocupa uma menor proporção, apesar de mais de metade das inquiridas trabalhar ou estudar. Estes últimos quadrantes implicam relações que necessitam uma conquista mais activa (não são tão "dadas" como as familiares), o que vem sublinhar a possibilidade de existirem dificuldades no relacionamento interpessoal que, assim, prejudicam o alargamento da rede. Outros estudos já realizados em Portugal têm evidenciado o papel dos amigos (amostra da população geral) e dos vizinhos (amostra do RMG) na transformação da visão que o sujeito tem dos seus problemas e das suas dificuldades (reenquadramento). A falta destes elementos na rede destas mulheres tem, pois, um impacto que não é apenas quantitativo mas que é também, e talvez fundamentalmente, qualitativo. Quanto à densidade, as redes são maioritariamente coesas, surgindo posteriormente as redes fragmentadas. O grande inconveniente da rede coesa reside na influência e no controle exercido sobre os membros que dela fazem parte e também no facto de ser fechada sobre si própria, com reduzida abertura ao exterior, não permitindo, desta forma, a renovação das práticas e das normas de comportamento. Pensamos que para estas mulheres, a braços com inequívocos processos de mudança, a fragmentação da rede pode ser uma mais valia muito importante. Não queremos deixar de referir que a existência de filhos a cargo e a ocultação do mau trato parecem associar-se, significativamente, à maior coesão da rede social pessoal, como se associam também significativamente à existência de DPST.
Já face às características funcionais da rede, mais especificamente às duas principais funções que as inquiridas consideram como mais importantes para pôr fim à situação de mau trato, destacam-se, em primeiro lugar, o apoio técnico ou de serviços, seguido do aconselhamento e do apoio emocional. O aconselhamento é mais significativo nas mulheres com autonomia financeira e o apoio técnico e de serviços nas mulheres sem essa autonomia. Uma vez mais concluímos acerca da importância do apoio institucional para estas mulheres, sendo este um resultado que nos parece não poder deixar de ser conhecido por parte daqueles que, de uma forma ou de outra, lidam também com a violência familiar - polícias, instituições de saúde, tribunais, I.P.S.S.'s ...
No que diz respeito à frequência de contactos, pudemos verificar que o seu valor aponta para contactos semanais. As inquiridas mantêm um maior número de contactos com a família, com os amigos e com os colegas de trabalho ou de estudo (frequência semanal). A menor frequência de contactos diz respeito ao quadrante das relações comunitárias ou de vizinhança (contactos quinzenais ou mensais). Com as instituições os contactos aproximam-se de um valor semanal. Apesar da situação particular destas 63 mulheres, dada a sua institucionalização, razão pela qual teremos que ser cautelosos na generalização dos dados referidos, parece-nos que está aqui, de alguma forma, expresso o isolamento social característico destas vítimas.

4. Nota final

Com redes de apoio bastante reduzidas e coesas, muito focalizadas no quadrante familiar, as mulheres vítimas de violência conjugal parecem precisar dos técnicos para poder romper com as suas histórias saturadas de violência - aspecto este que comporta implicações importantes ao nível da intervenção. A protecção da mulher vítima de violência conjugal tem de ser um projecto colectivo que co-responsabilize diferentes agentes, individuais e colectivos - família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos, grupos comunitários, técnicos e instituições (Alarcão, 2000).

 

Bibliografia
Abreu, S. (2000). Singularidade das redes e redes da singularidade. Rede Social pessoal e saúde mental: estudo exploratório numa amostra com esquizofrénicos, deprimidos e população geral. Dissertação de Mestrado não publicada. Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra.
Alarcão, M. (1998). Família e Redes Sociais - Malha a Malha se Tece a Teia. Revista Inter-Acções - I.S.M.T., 7, 93-102.
Alarcão, M. (2000). (des) Equilíbrios Familiares. Coimbra: Quarteto Editora.
Elkaim, M. (1987). Les pratiques de réseaux. Paris: ESF.
Follingstad, D.; Brennan, A.; Hause, E.; Polek, D. & Rutledge, L. (1991). Factors Moderating Physical and Psychological Symptoms of Battered Women. Journal of Family Violence,6 (1), 81-95.
Katz, J. & Arias, I. (1999). Psychological Abuse and Depressive Symptoms in Dating Women: Do Different Types of Abuse Have Differential Effects? Journal of Family Violence, 14 (3), 281-295.
Peixoto, L. (2001). Os ciganos e a sua rede social pessoal: estudo exploratório numa amostra residente em Braga. Dissertação de Mestrado não publicada. Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra.
Ribeiro, S. (2001). Distúrbio Pós Stress Traumático e violência conjugal. Dissertação de Mestrado não publicada. Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra.
Simões, D. (2002). Rede social pessoal e RMG: estudo exploratório de duas amostras socialmente desfavorecidas. Dissertação de Mestrado não publicada. Instituto Superior Miguel Torga, Coimbra.
 
 
Glossário
Violência cruzada - Diz-se que existe violência cruzada (verbal e/ou física) sempre que se observa uma simetria dos ataques e sempre que existe paridade de força física e psicológica entre homem e mulher.

Estratégias de coping - Estratégias que o sujeito utiliza para lidar com os problemas ou situações com que se depara.

Double-bind - Situação comunicacional em que, simultaneamente, são emitidas mensagens contraditórias que colocam o receptor face à impossibilidade de responder satisfatoriamente a qualquer uma delas.

Rede social - Uri Rueveni (1979) define rede social como "um grupo de pessoas que mantém um lugar importante nas nossas vidas (família, conhecidos, amigos, vizinhos, ou outras pessoas da comunidade com quem interagimos)" [cit. in Lacroix, J.-L. (1990). L'individu, sa famille et son réseau: Les therápies familiales systémiques. Paris : ESF, p.77].
Ross Von Speck define rede social "como um grupo de pessoas, membros da família, vizinhos, amigos e outras pessoas, capazes de trazerem uma ajuda e um apoio tão reais como duradouros a um indivíduo ou a uma família. É, em síntese, um casulo em volta de uma unidade familiar que serve de almofada entre esta unidade e a sociedade. É o que subsiste do aspecto tribal das sociedades primitivas" [cit. in Elkaïm et al. (1995). Las Practicas de la Terapia de Red: Salud mental y contexto social. 2ª ed., Barcelona, Gedisa Editorial, p.24].
Carlos Sluzki (1979) e Steinmetz (1988) definiram rede social pessoal "como a soma de todas as relações significativas para um indivíduo, diferenciadas da massa anónima da sociedade. Esta rede corresponde ao nicho interpessoal da pessoa e contribui substancialmente para o seu próprio reconhecimento como indivíduo e para a sua própria imagem. Constitui uma das chaves centrais da experiência individual, da identidade, bem-estar, competência e protagonismo ou autoria, incluindo hábitos de cuidados de saúde e capacidade de adaptação a uma crise" [cit. in Sluzki, C. (1996). La red social: Frontera de la practica sistémica. Barcelona: Gedisa, p. 42].
Sintetizando, podemos dizer que o ressalta destas definições é, desde logo, a afirmação da importância das relações interpessoais na vida de qualquer ser humano. Mas, para além disso, algumas destas definições de rede social sublinham, ainda, a sua clara função de apoio ao sujeito não só em situações de crise mas, permanentemente, enquanto elemento de co-construção da sua própria identidade e bem-estar. Está-lhes ainda subjacente a ideia de que a rede é definida a partir de um indivíduo ou actor social, delimitada normalmente por ele próprio e por ele considerada como o seu campo relacional total.

Rede primária - Rede constituída pelos indivíduos que estão ligados entre si por laços informais, isto é, pelos indivíduos que têm afinidades pessoais num quadro não institucional. Os vínculos, neste tipo de rede, são essencialmente de natureza afectiva, embora possam assumir um colorido positivo ou negativo, isto é, conflitual.
É também característica das redes primárias a sua modificação ao longo do tempo. Com efeito, estas redes não têm sempre a mesma configuração, dependendo da mobilidade espacio-temporal das relações interpessoais.

Rede secundária - Rede constituída por relações geradas pelas instituições, isto é, por indivíduos interligados por laços formais. Tem como objectivo essencial a resposta a exigências de natureza funcional, fornecendo serviços.

Neste grupo podemos considerar as redes secundárias formais, constituídas por instituições que têm uma existência oficial, e as redes secundárias informais, constituídas por relações sociais criadas com vista a responder a necessidades precisas ou a fornecer serviços específicos. Nestas últimas há uma menor formalidade e uma menor estruturação. A sua existência é essencialmente funcional, o que determina uma duração temporal mais reduzida. A sua clientela é geralmente mais restrita e a sua adaptação às necessidades dos indivíduos é habitualmente maior.

Rede mista - Rede composta por vínculos de natureza informal e formal e que integra, portanto, a rede primária e secundária do sujeito central. Em países como o nosso, em que há uma forte intervenção dos serviços, a intervenção em rede mista poderá fazer mais sentido e ser mais viável do que a intervenção em rede primária, tal como foi experimentada e teorizada por Ross von Speck, entre outros.

Rede de 1ª ordem - Rede que inclui a rede social de cada sujeito.

Rede de 2ª ordem - Rede composta pelas rede social de cada um dos membros da rede social de uma pessoa. De facto, cada pessoa que faz parte de uma rede social tem também a sua própria rede social, o que constitui um imenso reservatório de recursos humanos. É frequente encontrar-se este tipo de rede mais desenvolvido entre grupos de profissionais e nas classes sócio-económicas mais favorecidas.

Tamanho da rede social - O tamanho da rede é relativo ao número de indivíduos que cada sujeito considera como significativos na sua vida e que, por conseguinte, constituem a sua rede social pessoal.

Composição de rede social - A composição da rede permite-nos conhecer a forma como as pessoas consideradas como significativas se distribuem pelos diferentes quadrantes da rede - família, amigos, colegas de trabalho e/ou estudo, vizinhos, relações de âmbito institucional - e pelos diferentes círculos de intimidade - contacto diário e íntimo, grau de compromisso médio, relações esporádicas.

Densidade da rede - A densidade é-nos dada pelo grau de conexão existente entre os membros que constituem a rede social independentemente do sujeito central. A partir deste grau de conexão podem tipificar-se as redes em coesas, dispersas ou fragmentadas.
     A rede coesa é composta por um grande grupo indiferenciado, constituído pela família nuclear, família alargada, amigos, colegas de trabalho e vizinhos. Todos os membros se conhecem e não existem subgrupos independentes. As pessoas comunicam entre si e possuem uma grande ligação emocional. Por estas razões, este tipo de rede é facilmente activada embora seja, também, muito controladora.
     A rede fragmentada é composta por pequenos subgrupos, relativamente independentes entre si. Um destes subgrupos pode ser a família, ou os amigos, ou os companheiros de trabalho ou os vizinhos. As pessoas de cada subgrupo não conhecem, geralmente, os restantes membros dos outros subgrupos, pelo que os contactos entre subgrupos diferentes são de escassa frequência. Menos facilmente activada na sua totalidade, este tipo de rede tem, no entanto, a vantagem de poder oferecer ao sujeito um apoio diferenciado consoante o tipo de dificuldade ou de problema, permitindo-lhe desfrutar de alguma intimidade com os diferentes núcleos da sua rede. Por estas razões, a rede fragmentada é considerada como mais apropriada para a vida citadina actual que é, como sabemos, muito individualista.
     A rede dispersa caracteriza-se pela fraca conexão verificada entre os seus membros: estes quase não se conhecem e a pouca conexão existente tem tendência a perder-se. O quadrante onde existe maior ligação é o familiar, quadrante facilmente saturável dada a quase exclusiva dependência do sujeito relativamente aos seus familiares. Este tipo de rede social assenta geralmente numa pessoa e desorganiza-se na sua ausência.

Características funcionais da rede - De acordo com C. Sluzki [(1996. ], a rede social pessoal, através dos seus vários vínculos, pode ter as seguintes funções:
     Companhia social - apesar da companhia social não implicar apoio emocional, esta pode ser uma função importante.
     Apoio emocional - expressão de sentimentos afectivos, de compreensão, amizade, simpatia, empatia, segurança, estímulo e apoio. É comum nos amigos íntimos e na família próxima e pressupõe a existência de relações de uma certa intimidade e proximidade. Esta é, sem dúvida, uma das funções importantes da rede.
     Guia cognitivo e conselhos - partilha de informação pessoal e social. A rede, através desta função, promove modelos de comportamento.
     Regulação e controle social - função normativa, importante para a socialização dos seus membros. Embora facilite a socialização, esta função da rede pode também promover a exclusão de certos elementos, nomeadamente em situações de claro desvio.
     Ajuda material ou instrumental - apoio específico que, ao ser oferecido, vai aliviar o sujeito na realização das tarefas quotidianas.
     Apoio técnico ou de serviços - apoio técnico usualmente oferecido por elementos da rede secundária.
     Acesso a novos contactos - abertura a outros conhecimentos, inicialmente através de uma relação que fazia parte da rede pessoal do sujeito.

Frequência de Contactos - A rede social é sustentada pela comunicação existente entre os seus membros, ou seja, é através de contactos mais ou menos frequentes que se mantêm os vínculos activos, embora ligações afectivamente intensas possam ser rapidamente reactivados apenas com um contacto, mesmo quando ocorre um hiato temporal considerável relativamente à comunicação anterior.


 




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